Amor é fogo que arde...

um poema incendiário

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Natal/2007

 
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Quarta-feira, Abril 05, 2006


Essa sou eu.
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Quinta-feira, Março 30, 2006

VOCÊ JÁ IMAGINOU?





Já imaginou fazer uma pintura utilizando babosa, pó xadrez e grude? E uma experiência de pintura com os olhos vendados? Você sabe como fazer giz de cêra? E que tal brincar de cabelereiro? Visitar um ateliê de pintura? Desenhar com carvão...Imaginou? Agora imagine essas atividades na sala de aula... Quanta riqueza cada uma delas traz! Por exemplo, o trabalho com pigmentos e texturas para se fazer tinta pode possibilitar novas formas de criação incentivando os alunos a serem mais criativos e a revelar suas emoções. Além disso, a atividade aguça a curiosidade dos alunos despertando neles a busca pelo novo e pelo conhecimento. Quantas coisas podem ser trabalhadas com essa atividade! Pode-se dar enfoque as cores, as texturas que surgirão a cada mistura e a própria experiência dos alunos em produzir suas tintas e, por fim, a pintura que será criada por cada um deles. Você imaginou quanto pano pra manga uma atividade dessas poderá render? É bom começar a pensar...

Sexta-feira, Março 10, 2006

Teste II - O som!

Testando o Bubleshare

novidades web 2.0

Linkei algumas novidades em aplicativos web. Algumas delas com bastante recursos para a educação.

Num Sum, BubleShare, Flagr, Writely, Basecamp e outras novidades

Quinta-feira, Março 02, 2006

FOTOGRAFIAS COMO IMAGEM DE NARRATIVAS: UMA PRÁTICA EDUCATIVA

Este artigo originou-se de uma pesquisa que fiz como professora, junto aos alunos de uma terceira série, numa escola estadual do município de Gravataí, onde fiz meu estágio do 8º semestre, com o objetivo de saber como os alunos, a partir da fotos relatam suas histórias.
Participaram da pesquisa um total de 26 alunos, sendo 14 meninas e 12 meninos, a maioria dos alunos moradores do bairro São Geraldo ou de bairros vizinhos, nível socioeconômico médio/baixo.
Como instrumentos de pesquisa (ferramentas) utilizei a máquina fotográfica, fotografias e relatos, tanto orais como as produções de textos.

P.S.:
Trabalho de conclusão apresentado como requisito parcial e obrigatório para aprovação da Disciplina EDU 02003 e conclusão do curso de Pedagogia, Habilitação: Magistério Para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, da faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Orientador: Jorge Nóblega

JUSTIFICATIVA PARA O TRABALHO COM AS FOTOS

A importância que as imagens e a fotografia têm assumido na minha vida e no cotidiano da minha prática como professora, despertaram em mim o desejo em discutir como os alunos, através das fotos, contam suas histórias e investigar como a partir da fotografia pode-se pensar a prática pedagógica. Ao "ler" as fotografias, os alunos produzem representações , significados sociais, e, ao fazerem isso, "fabricam" múltiplas identidades. Nesse sentido, tudo que nos cerca pode ser considerado um texto, os objetos, as obras de arte, os livros, as fotografias.
Para que a leitura acontece, diz Larrosa é necessário que haja uma relação íntima entre texto e a subjetividade. Por tanto implica pensá-la como tipo particular de uma relação de produção de sentido. Desse ponto de vista tudo que nos acontece pode ser considerado um texto. É como se os livros assim como as pessoas, os objetos, as obras de arte, a natureza ou os acontecimentos que se sucedem ao nosso redor quisessem nos dizer alguma coisa. Isso implica uma forma de em nossa capacidade de escutar (ler) isso que a "coisa" tem a nos dizer ou nos mostrar. O importante não é o texto, mas a relação com o texto. (Nóblega, 2000)

A máquina fotográfica, neste caso é utilizada não apenas para reproduzir imagens, mas para compor e recompor as imagens. As imagens compõe o cenário do que é visível, ou seja, do que "enxergamos" (as cores, a luz, os objetos) enquanto "invisível", são as narrativas que aparecem quando falamos (as lembranças e sentimentos) da imagem fotográfica. Portanto, ao invés de exprimir a presença simples das coisas, as imagens produzem representações. O que busco, na qualidade de professora, não é saber se as representações dos alunos são "verdadeiras" ou não, como se existisse uma "realidade única". O que interessa é analisar as imagens construídas pelos alunos para problematizar as representações(1) das coisas, a própria imagem que possuem do bairro em que vivem e que são construções sociais e históricas.
As fotos tiveram um papel importante no estudo das várias áreas do conhecimento, como na matemática, geografia, história, português, ciências, etc. O trabalho com registro fotográfico, constituiu-se num material didático de suma importância, pois, a partir dele, aconteceram alguns desdobramentos que irei comentar algumas das potencialidades que a fotografia proporcionou para minha prática pedagógica:

· A fotografia estimulou os alunos a falarem sobre o que "viam", desenvolvendo a oralidade.
· Na área de história faziam articulações com questões do bairro, da rua, da escola. A partir da própria experiência, exprimiam suas emoções, contavam e escreviam suas histórias, desenvolvendo assim, a organização de suas idéias.
· Em ciências foram fotografadas as transformações de uma semente. A atividade consistia em descrever, através de palavras, os passos dessa transformação.
· Era solicitado comentário oral e em texto sobre as imagens, e isso poderia ser feito, dependendo da imagem, de acordo com a área do conhecimento.
Através de tais atividades, o grupo refletia sobre a relação com a fotografia. Algumas perguntas eram feitas e muitas foram repetidas ao longo das aulas, pois era preciso "pensar" sobre o que víamos. Algumas das questões levantadas eram as seguintes: Temos algum tipo de ligação com essa foto? Sabemos alguma coisa sobre ela? Ela nos traz alguma informação? Nos trazem algum tipo de sentimento ou pensamento?
Como professora queria instigar os alunos a "olhar" as imagens e a refletirem sobre elas. Nesse movimento possibilitar a discusão das diversas "realidades" e interpretações que possam ter a respeito do lugar onde vivem, que constituem os modos de agir e produzir, os significados do bairro. É nesse "descobrir-se", através da lente fotográfica, que os alunos poderão compreender melhor sua cultura e resignificá-la. Sobre isso, Fischman diz:

"Uma fotografia "expõe" o sujeito enquanto território de investigação. Ela é uma unidade analítica que desenvolve uma narrativa ou uma história, que são fragmentos da exploração do eu. Além disso, enquanto "Work in progress", a fotografia nos impele a procurar, a perguntar e a vislumbrar, simultaneamente, as dimensões espaciais, seletivas e integrativas de nossa identidade." (Fischman, p. 45)

A citação acima mostra a importância em discutir e "ver" pela lente da máquina fotográfica, pois, o movimento de olhar e falar pode possibilitar a metamorfose, a transformação daquilo que inicialmente se sabia. De olhar novamente pelo olho da câmera a imagem do cotidiano e fixá-la para revelar a própria imagem enquadrada. "Fixar" um momento (um acontecimento), significa enquadrar reter uma experiência. A partir dessa imagem "fixa", enquadrada, há sempre um deslocamento caracterizada por um processo de rupturas e fragmentações causadas no seu próprio interior. Como exemplo, trago uma explicação que uma das alunas fez para justificar a foto que tirou. A foto em questão é de uma praça que fica no bairro São Geraldo, no município de Gravataí. " Eu tirei a foto da pracinha, porque meu pai quando eu era pequena me levava lá. Tem até uma fita gravada. Mas me lembro também que tem muito preconceito, tinha uma menina que não podia brincar comigo, porque eu era negra." Nesse fala, fica claro os vários deslocamentos(2) que uma foto pode produzir, ou seja, as diferentes posições do sujeito que a tirou. Portanto, nesse sentido, essa atividade pedagógica constitui uma atividade metodológica para a educação dos alunos,. possibilitando entender a imagem fotográfica como representação, como uma forma de "ver" a relação imagem/interpretação nas várias áreas do conhecimento. Sob o olhar da aluna está algumas das articulações que a foto gerou (questão de raça, família, beleza, etc..)

Notas:

(1) No contexto dos Estudos Culturais, a análise da representação concentra-se em sua expressão material como "significante" um texto, uma pintura, um filme, uma fotografia. Pesquisam-se aqui sobretudo, as conexões entre identidade cultural e representação, com base no pressuposto de que não existe identidade fora da representação. (Silva,2000)
(2) Uma estrutura deslocada é aquela cujo centro é deslocado, não sendo substituído por outro, mas por uma pluralidade de centros de poder (Hall, 1993)

ESTRATÉGIAS PARA A COLETA DE DADOS

Para encaminhar a pesquisa, lancei mão das seguintes atividades:
1º) Produção textual onde os alunos teriam que escrever o que sabiam e pensavam sobre o bairro onde moram. Essa atividade foi realizada para que cada um dos alunos expressasse a imagem que tinha do lugar onde mora. Ela serviu, também, para a análise da inter-relação da imagem e do discurso ou do discurso da imagem do bairro.
2ª) Fotografar o bairro em que os alunos moram; sendo que cada um teria que tirar três fotos (uma foto livre, outra de algo que mais gostavam no bairro e outra do que menos gostavam). Nessa atividade os alunos tiveram que responder o porquê escolheram determinadas imagens.
3ª) Montar uma Mostra Fotográfica para toda a escola. Para a Mostra Fotográfica os alunos teriam que fazer legendas para as fotos, falando dos sentimentos que levaram a fotografar determinados, espaços do bairro. Nessa última atividade tiveram que responder as seguintes questões: Como e por quem foi produzida esta foto? Para quem e para que se fez esta produção? Quando foi realizada? Depois de responderem tinham que dar nome às fotos e fazer duas "leituras". A primeira leitura externa, ou seja, das coisas que enxergavam (cor objetos, etc), e a segunda interna, as sensações que as fotos passavam.
Esses registros foram feitos num papel e, num momento seguinte a professora digitou as respostas para os alunos montassem a I Mostra Fotográfica da Turma 31: "Gravataí através dos meus olhos."

AS FOTOGRAFIAS TIRADAS PELOS ALUNOS MOSTRAM A IDENTIDADE DO LUGAR ONDE VIVEM?

Segundo Fischman a fotografia foi desenvolvida na Europa no inicio do século XIX, tornando-se ferramenta bem recebida e popular, desempenhando um importante papel na construção da identidade moderna e das forças do positivismo. Para o autor diferentemente das funções sociais dos espelhos ou das pinturas, na era pré-moderna, que foram feitas para serem vistas apenas por uma minoria, com a multiplicação e a expansão das imagens fotográficas permitiram a visibilidade a muito mais expectadores e, também, segundo Fischman, permitiu que se vislumbrasse um novo sujeito, o cidadão consumidor moderno. Durante a maior parte do período moderno, as imagens fotográficas buscavam mostrar a "realidade" , a reprodução e a representação que são as principais formas de funcionamento, na era pré-moderna, das imagens fotográficas. No entanto, Baudrillard vai explicar na lógica pós-moderna a imagem como simulação, substituindo a representação.
"Se elas nos fascinam tanto não é por serem os lugares da produção de significados e da representação, isto não seria mais novidade - mas sim por serem os lugares do desaparecimento do significado e da representação, lugares nos quais somos capturados bem a parte de qualquer julgamento da realidade" (Baudrillard, 1999, p. 237)

A fotografia enquanto simulacro (4) retém a qualidade de expor objetos e sujeitos. Para Baudrillard, ela "expõe" o sujeito enquanto território de investigação, desenvolvendo narrativas e histórias, que são fragmentos dos sujeitos. A partir da perspectiva pós-moderna, relacionando fotografia e educação, percebi a importância de analisar as fotos e as produções textuais dos alunos como textos culturais.
Notas:
Para Jean Baudrillard, com a proliferação de imagens que caracteriza o cenário cultural contemporâneo, os signos não remetem mais a referentes "reais", mas simplesmente a outros signos " representações" ou simulacros: vivemos no reino da hiper-realidade. O conceito de "simulacro" também é analisado por Gilles Deleuze, em seu questionamento das distinções platônicas entre de um lado, cópia e original e, de outro, cópia e simulacro (no sentido de cópia má, imprópria, ilegítima). No contexto da critica do conceito de "representação" compreendia aqui, como produção "fiel" da realidade ou de formas ideais, Deleuze, na tentativa de desfazer as distinções platônicas, concede um status positivo ao "simulacro", afirmando que não existe senão simulacro. (Silva, 2000)

UM OLHAR PROBLEMATIZADOR SOBRE AS FOTOGRAFIAS DOS ALUNOS.

FALANDO, ESCREVENDO E PENSANDO SOBRE O BAIRRO...

A proposta feita aos alunos para trabalhar com fotografias começou antes mesmo deles tirarem as primeiras fotos. Eu lembro perfeitamente da primeira vez que falei aos alunos sobre o lugar onde moravam. Na verdade, o que eu fiz foi colocar uma questão para eles responderem, que foi mais ou menos assim: O que vocês sabem e pensam sobre o lugar onde moram?...Eis duas das respostas: "O meu bairro é muito legal, tem o meu colégio e vários tipos de lazer tem dois armazém perto da minha casa e o supermercado São Jorge. Eu adoro o meu bairro é muito bom falar assim dele"(Taiana)
"Eu gosto muito do meu bairro é muito bom, gosto muito daqui, moro 8 anos aqui. Meu lugar preferido é a escola, gosto muito de estudar, brincar e muitas coisas. Por que gosto daqui? Por que tem muitas coisas, duas padarias, um mercado, madeireira, pracinhas e muito mais. Eu gosto muito do meu bairro."(Larryssa)
Lendo as coisas que os alunos tinham escrito, minha mente "meio que paralisou", levei um choque. Ora, como eles podiam gostar tanto do bairro onde moram? Resolvi dar um tempo e guardar todos os registros e pensar a respeito mais tarde. A aula naquele dia terminou e fui para minha casa caminhando, absorta em meus pensamentos, tentando encontrar hipóteses para as respostas dos alunos. De repente, na minha frente surge um aluno, acompanhado de sua mãe para me acompanhar até em casa ? eles sempre me esperavam para ir embora: Um aluno me espera todos os dias para ir embora! Já pensaram nisso? Pois é...foi aí que descobri um jeito de explicar as tais respostas... Bom, me dei conta o quanto esse aluno me deixa feliz e maravilhada! Também me dei conta, que dependendo da relação que estabelecemos com as pessoas, as paisagens, os animais, as flores, etc, elas poderão ser consideradas afectos (5) e perceptos (6) que nos fazem sentir alegria, felicidade, tristeza, etc...

Notas:

(5) Segundo Paola Basso Gomes Afectos são sensações vividas nos encontros intensos e extensos entre os corpos. Os afectos se revelam na carne das coisas. Deixar-se apanhar por um afecto implica a transformação ou o desmantelamento da estrutura de um corpo. Os afectos são afecções transmutadas, que devém compostos de sensações.
(6) Segundo a mesma autora, perceptos são sensações produzidas, que podem ser por paisagens, figuras, visões, que são anteriores ao homem, percepções intensas que se sustentam por si mesmas. Os perceptos se reúnem em um conceito sobre a própria coisa onde foram desenhados, pintados talhados, esculpidos, modelados, fotografados, tocados, escritos, Apresentam variações sutis de forças, imperceptíveis, que não são a expressão da matéria da qual ele se dá, mas potencias da matéria que se tornam expressivas.

Quarta-feira, Março 01, 2006

FOTOGRAFANDO...SURGEM ALGUMAS INQUIETUDES.

Aos alunos foi pedido que fotografassem o bairro onde moram, na cidade de Gravataí. Pedi aos alunos, três fotos:
1ª) Uma foto Livre;
2ª) Uma foto de algo que não gostavam;
3ª) Uma foto de algo que gostavam.
Esta foi a metodologia inicial, mas ao longo da pesquisa acabei mudando. Descartei a questão condicionante de fotografar do que menos os alunos gostavam e de que mais gostavam, para apenas tirarem fotos livres. As imagens fotografadas, pelos alunos, foram as seguintes: a pracinha, a escola, a igreja, o armazém, a casa onde moram, a rua onde residem, as árvores, o lixo nas ruas, um campo e o posto de saúde. Por que os alunos escolheram estas imagens?
Para entender melhor as escolhas dos alunos trarei alguns exemplos que considero bem ilustrativo.

Fotografia I


Um dos alunos fotografou a sua casa, quando questionei o porquê da foto ele disse o seguinte: " Prô, eu tirei a foto da minha casa por que ela é bonita, parece um quindão e na garagem fica o carro do pai, o nosso carro, né... quando a gente chega em casa nosso cachorro faz festa. Eu também gosto dela por causa do meu pai e da minha mãe." A fotografia, trouxe para o aluno sensações. Sensações de prazer, alegria, lembranças. Essas sensações iam aumentado à medida que falava sobre sua família, da cor da casa, dos objetos, etc. O que quero dizer é que não foi a foto (o objeto ) em si que provocou afectos, mas sim a linguagem do aluno frente a este objeto. Vou fotografar com as palavras, a cena do aluno me explicando o porquê da sua foto...Ele segurou a foto na mão e fixou o seu olhar nela. Começou a falar da sua casa e de sua família, sempre segurando a foto na mão e a olhava-a todo instante. O rosto do menino demonstrava o prazer que sentia em falar daquelas coisas, seus olhos tinham um brilho especial e o sorriso estava no rosto.
Larrosa (2004), vai dizer que se a experiência é o que nos acontece e se o sujeito da experiência é um território de passagem então a experiência é de desejo. Se existe uma "experiência de desejo", como diz Larrosa não acontece por acaso ou porque exista algo a ser identificado na fotografia, mas, sim porque a imagem enquadrada e os fatos que nela aparecem (visíveis e invisíveis) ressoam como desejos ( de narrativas) para o fotógrafo. Essas imagens podem ser visíveis ou não, porque nem tudo que o aluno narra da imagem fotográfica se apresenta na foto. O que não é visível e, o que pode ser visto, aos poucos, através da narrativa do aluno torna-se visível, a partir do modo que o próprio aluno vê. Esse exemplo, demonstra como a relação com os seres, com as coisas que estão na imagem enquadrada afetam o pensamento do aluno com a fotografia e com a vida. As "experiências de desejos" provocam variações na relação com a fotografia, ou seja, faz com que o aluno retrate a imagem a qual enquadrou e de vazão ao discurso, sendo que a narrativa poderá modificar-se de acordo com o momento que o fotógrafo escolheu. Dependendo do momento em que se encontra, terá uma determinada perspectiva. O aluno cada vez que pensa ou faz relações com a fotografia, torna-se um experimentador. Porque? Experimentando novas relações, com pessoas e coisas da fotografia enquadrada o aluno compõe novas idéias sobre o acontecimento e cria novos pensamentos, experimentando novas sensações e novos desejos.
Há de se perceber, também, que há diferenças entre olhar uma fotografia sem conhecer a história da mesma e narrar os porquês fotografados do momento. Mesmo assim a fotografia produz um acontecimento, seja pessoal ou jornalístico. Portanto, nem sempre a fotografia se apresenta com a narrativa, porém ela produz uma relação discursiva. Segundo Larrosa a partir da "experiência que nos acontece" podemos produzir um discurso, mesmo que não seja narrado e "visível", pois essa experiência gera relações e produz discursos.

Fotografia II


"Eu adoro a pracinha. Mas é o único lugar que tem para brincar perto da minha casa" Na sua fala fica evidenciado o tom reflexivo e a critica que houve. Pois, não mais como era no início uma cidade com "vários tipos de lazer", agora, a aluna diz que a praça é o único lugar para brincar perto da sua casa. Nota-se, que a aluna ao "rever" a imagem fixa e enquadrada faz produzir outro tipo de discurso e outras experiências. Nesse sentido, a fotografia modificou o discurso inicial da aluna, assim como a imagem do lugar onde mora. Essa modificação começa no momento que precisa procurar uma imagem para ser fotografada, isso quer dizer que a aluna é instigada a escolher, procurar os espaços e lugares, pessoas, etc, do seu desejo, da sua experiência. É na experiência de desejo (de brincar), que a aluna vai situar a praça como espaço, no bairro, para exercer essa vontade. Portanto, a praça é o único lugar perto de sua casa. Ao "rever" a imagem , enquadrada, a aluna modifica seu discurso, assim como a experiência de visualizar a própria imagem que desejou fotografar. Como se a imagem fotográfica enquadrasse o olhar e a aproximasse do discurso e ao mesmo tempo a afastasse daquela perspectiva inicial. A fotografia provoca, na aluna, dois movimentos: o de afastamento e o de aproximação. No primeiro, a aluna se distancia da fotografia, esse distanciamento provoca estranhamento e, portanto, cria uma nova perspectiva diferente da inicial. Nesse segundo movimento, a fotografia aproxima o lugar do olhar, nesse caso a praça fotografada e o discurso se modificou em relação a primeira imagem que a aluna tinha do bairro. A aproximação que a imagem fotográfica causa nem sempre faz relembrar um acontecimento, ela também pode provocar sentimentos como terror, alegria, tristeza , etc.

MOSTRA FOTOGRÁFICA: "GRAVATAÍ ATRAVÉS DOS MEUS OLHOS"


Esta atividade os alunos tiveram que organizar e montar a I Mostra Fotográfica da escola. Para isso foi pedido para cada um deles colar suas fotos numa cartolina preta onde deveriam dar título para as fotos e, escreverem seus sentimentos sobre elas. Assim foram feitos convites especiais para cada turma, como também, para a direção e funcionários da escola. Nesse dia, os alunos da turma 31 receberam os convidados para a I Mostra Fotográfica. Cada um ficou perto da sua composição fotográfica e quando eram questionados, tinham que responder sobre a exposição. O entusiasmo foi geral, os alunos sentiram-se importantes, pois estavam mostrando algo que eles próprios fizeram. Todos na escola foram prestigiar e, seguidamente, os alunos recebiam elogios e, isso, os deixavam orgulhosos.
O trabalho com fotografias, além de produzir a I Mostra Fotográfica na Escola Ponche Verde, também produziu e estabeleceu relações com o bairro, a escola e a comunidade. A fotografia como metodologia na educação, como práticas pedagógicas pode possibilitar aos alunos a produção de sentidos ou o sentido como produção.

Algumas considerações

Através desta pesquisa pude perceber o quanto é relevante o trabalho pedagógico com fotografias. O estudo me fez "ver" que a fotografia possibilita momentos para ver as coisas, que talvez não fossem vistas se não tivéssemos a enquadrada para a olhar. E, que, através das fotos seja possível problematizar atividades significativas. Esse movimento de "olhar" novamente o próprio cotidiano pode ser um importante aliado para os alunos compreenderem a sua cultura e resignificá-la.
Assim os alunos começaram a constatar que a praça, a cidade, a escola, também tinha seus problemas. No movimento de olhar, novamente, a imagem enquadrada, os alunos começaram a resignificar aquilo que viam. Dessa forma, a fotografia leva os alunos a pensarem muitas coisas que normalmente não pensariam do bairro onde vivem.
É importante destacar a fotografia (a máquina fotográfica) como instrumento pedagógico e curricular. Mas, quais os argumento para afirmar a importância da fotografia no currículo, bem como na prática pedagógica? Penso que a relação da fotografia com o currículo na escola, traz questões muito pertinentes que podem ajudar a pensar um currículo mais aberto e flexível. Para isso basta perceber o potencial que a fotografia tem, principalmente porque ela faz sentir, dizer, desejar, percorrer, procurar, descrever, criar e, é isso que é um currículo - os desejos e experiências das pessoas que nele e dele se fazem e não o contrário. É nesse turbilhão de possibilidades que a fotografia cria espaço para que os alunos sejam investigadores para a escolha do momento e da imagem a ser retratada e nesse sentido flexibilizar o currículo. Com isso o aluno retrata momentos de desejo ou interesse pessoal.
A partir da fotografia o aluno começa, então, a produzir discursos dos espaços focalizados, pela visibilidade que são escolhidos e que geram uma imagem enquadrada, "fixa". A fotografia aproxima o fotografo da imagem escolhida e após o afasta, quando ele tem que narrá-la, podemos dizer então, que a fotografia é uma distância que às vezes afasta e noutra aproxima.
No aspecto, pedagógico, a fotografia cria atividades para a produção textual e oralidade, do espaço geográfico, meio ambiente, tempo, história, etc.
Foi nesse cenário de descobertas, de pequenas ousadias, de experimentações, de desejos, de paixões, de inseguranças e incertezas que demos os primeiros passos e, juntos, eu e os alunos, mergulhamos num mar de possibilidades, e confesso, não foi nada fácil, mas também, não menos fascinante.

Bibliografia consultada

Gomes, Paola Basso Menna Barreto. Arte e Geo-Educação: perspectivas virtuais. Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação, Porto Alegre, BR-RS, 2004.

Hall, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 2ª edição. Rio de Janeiro. DP&A, 1998.

FISCHMAN, Gustavo E.. Fotografias escolares como evento na pesquisa em educação.In: Realidade e Educação. Porto Alegre: Ufrgs, Faculdade de Educação.Vol. 28, Jul/dez 2003.

NÓBLEGA, Jorge Gerardo. Subjetividade e texto: um estudo introdutório na educação de adultos/as. Dissertação de mestrado ? Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação, Porto Alegre, BR-RS, 2000.

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. romance. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa. Editora Relógio D?agua, 1991.

SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Alienígenas na sala de aula. Petrópolis. Vozes, 1998.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Teoria cultural e educação : um vocabulário crítico. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. 125 p.

LARROSA, Jorge. Escrita e experimentação [gravação de vídeo]. Porto Alegre, 2004.

Janela da alma [gravação de vídeo]. Rio de Janeiro: Ravina Filmes, 2002.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

prêmio especial: a melhor piada de loira*

Ainda não parei de rir :)

Como se vai longe por uma risada, ainda mais se é a melhor piada de loira dos últimos tempos.

*off topic, afinal estamos de férias :)